quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Organismos Geneticamente Modificados - OGMs

   Por Rafael Oliveira Silva

   Hoje em dia com as avançadas pesquisas nesse ramo pode-se notar que os pesquisadores estão preocupados com o presente, e não há comprovadamente, como saber o que estes organismos geneticamente modificados trarão de prejuízos para a biodiversidade e principalmente para os homens.

   Na Carta da Terra o Princípio 15, também conhecido como Princípio da Precaução, diz o seguinte:

”Com o fim de proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deverá ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental“, traduzindo, “é melhor prevenir do que remediar” (UNITED NATIONS, 1992; BORÉM, 2005; ANDRADE; FALEIRO, 2009a).

   Segundo CRAIG e colaboradores (2008), dois tipos de riscos podem ocorrer em consequência da liberação de OGMs no ambiente: (1) efeitos inesperados na população-alvo, por exemplo, a evolução da resistência em pragas alvo/populações do patógeno quando o transgene confere resistência a uma praga ou patógeno; e (2) efeitos inesperados, em populações não-alvo, por exemplo, alterações na biodiversidade local associada direta ou indiretamente com a planta transgênica, ou aqueles associados com a integração e posterior expressão do transgene individual em um organismo diferente (fluxo gênico).

   O mais importante é que se criem e adotem critérios de avaliações dos impactos que estes OGMs poderão trazer para a humanidade, para que num futuro não tão longe, não sejamos todos responsáveis por um dano irreversível ao meio ambiente.




Referências:
*BORÉM, A. Impactos da biotecnologia na biodiversidade. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento, v. 34, p. 22-28. 2005.
*CRAIG, W.; TEPFER, M.; DEGRASI, G.; RIPANDELLI, D. An overview of general features of risk assessments of genetically modified crops. Euphytica, v. 164, p. 853–880, 2008.

*FALEIRO, F. G.; ANDRADE, S. R. M. Biotecnologia e transgênicos. In: FALEIRO, F. G.; ANDRADE, S. R. M. (Org.). Biotecnologia, transgênicos e Biossegurança. 1° ed. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2009, v. 1, p. 15-29.
* UNITED NATIONS. Rio declaration on Environment and Development. UN.DocA/Conf. 151/26/Ver.1, United Nations, New York, 1992. Disponível em: <http://www.un.org/documents/ga/conf151/aconf15126-1annex1.htm.> Acesso em: 25/08/2010.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MARKETING VERDE E O TURISMO

    Por Rafael Oliveira Silva

   O termo marketing verde refere-se aos instrumentos mercadológicos utilizados para explorar os benefícios ambientais proporcionados por um produto. Os benefícios ambientais mais valorizados são aqueles que contribuem para a sustentabilidade dos ecossistemas do planeta. Como a sustentabilidade dos recursos naturais necessários para a produção de bens destinados ao consumo humano implica mudanças quantitativas e qualitativas da oferta e da demanda, a utilização do marketing verde pressupõe a idéia de que seja possível criar riquezas com a diminuição de impactos ambientais negativos e a promoção de mudanças sociais que afetem os hábitos de consumo no mercado (GONZAGA, 2005).

   O marketing verde envolve as adoções de políticas ambientais, que vêm desde o início da coleta da matéria-prima até a sua disposição, envolvendo a área de recursos humanos, ciência e tecnologia, educação, enfim, tudo que estiver envolvido com a produção ou a prestação de serviços. O marketing verde é também conhecido como marketing ambiental, ecologicamente correto ou ecomarketing, de forma que são observados em empresas que aplicam métodos ecologicamente corretos ao gerenciamento interno na produção e na prestação de serviço.

O turismo e definido como as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e permanência em lugares distintos dos que vivem, por um período de tempo indeterminado, com fins de lazer, negócios e outros.

O marketing verde e o turismo possuem três dimensões:

• A do meio ambiente - natural e construído;

• A da vida econômica de comunidades e empresas;

• Os aspectos sociais do turismo, em termos de seus impactos sobre culturas locais e turistas e o modo como são tratados os que trabalham na indústria do turismo.



1 O Turismo com Base na Natureza

 

   A atividade turística é caracterizada pela interação do turista com o meio visitado, tanto no âmbito sociocultural quanto no âmbito natural. Daí a importância do desenvolvimento de um turismo sustentável. De acordo com ALMEIDA, FROEHLICH e RIEDL (2000), a definição de turismo sustentável foi desenvolvida para evitar os riscos que a condução inadequada da atividade pode provocar no meio ambiente. Nesse sentido, os impactos da atividade turística no meio ambiente devem ser devidamente estudados.

   Formas sustentáveis de turismo têm potencial para contribuir para a conservação de diversidade biológica dentro e fora de áreas protegidas, assim como promover melhorias na qualidade de vida das comunidades locais e regionais. E desta forma o turismo, visto sob uma nova concepção estratégica, deve ser um conjunto de bens e serviços que promova o desenvolvimento das comunidades locais. Não deve ser considerado somente como a implantação de meios de hospedagem, alimentação e locais de recreação e lazer, mas sim, um conceito que integra o desenvolvimento urbano e rural, criando um novo pólo de desenvolvimento, com investimentos em infra-estrutura urbana/rural, nas vias de acesso e melhores qualidades nos serviços de educação, saúde e segurança.

   Assim, há a necessidade de valorizar e proteger a natureza e sua diversidade biológica, assim como o patrimônio cultural, como a base essencial para o desenvolvimento sustentável do turismo, contribuindo à sua conservação.

 

2 O Ecoturismo

   O ecoturismo é uma forma de turismo voltada para a apreciação de ecossistemas em seu estado natural, com sua vida selvagem e sua população nativa intactos.

   Embora o trânsito de pessoas e veículos seja agressivo ao estado natural desses ecossistemas, os defensores de sua prática argumentam que, complementarmente, o ecoturismo contribui para a preservação dos mesmos e para o desenvolvimento sustentável das populações locais, melhorando a qualidade de vida das mesmas.

   O ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza de forma sustentável o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das populações envolvidas.

   O ecoturismo é percebido pelos seus adeptos ou tende a ser promovido como:

• uma forma de praticar turismo em pequena escala;

• uma prática mais ativa e intensa do que outras formas de turismo;

• uma modalidade de turismo na qual a oferta de uma infra-estrutura de apoio sofisticada é um dado menos relevante;

• uma prática de pessoas esclarecidas e bem-educadas, conscientes de questões relacionadas à ecologia e ao desenvolvimento sustentável, em busca do aprofundamento de conhecimentos e vivências sobre os temas de meio-ambiente;

• uma prática menos espoliativa e agressiva da cultura e meio-ambiente locais do que formas tradicionais de turismo.



3 O Marketing-mix Ambiental no Turismo

   Para que houvesse o crescimento do turismo de forma rápida no decorrer dos anos, foi necessária a utilização de um instrumento, o marketing, que inicialmente era aplicado somente na promoção de produtos industriais, sendo utilizado no turismo como uma ferramenta de sobrevivência, transformando-o em um produto que visa atender uma das necessidades fundamentais do ser humano: o lazer.

   O marketing mix é de suma importância para se saber os primeiros passos a serem dados para a divulgação do produto e/ou serviços, estudando-o e analisando-o através dos 4ps: Product (produto), Prices (preços), Promotion (promoção) e Place (distribuição). Cada um com sua específica função, KOTLER (2003, p.288) os classifica da seguinte forma:

   Produto é algo que pode ser oferecido á um mercado com a finalidade de chamar a atenção, seja adquirindo-o, utilizando-o ou consumindo-o com o objetivo de satisfazer o desejo ou uma necessidade. Com relação ao preço, ele é empregado para garantir os objetivos estratégicos da divulgação; a distribuição corresponde as diferentes atividades que se desenvolvem para divulgar os méritos dos produtos e persuadir o público-alvo a comprar; por fim, a promoção/comunicação é considerada o traslado de informações sobre o produto, com um papel absolutamente definido no ato da venda do produto turístico.

   Desta forma, é possível definir a demanda, informar, persuadir, promover e vender o produto ao seu determinado público que busca realizar seus desejos ou necessidades. Assim, usufruindo de forma satisfatória dos serviços oferecidos e obtendo a satisfação desejada no produto adquirido, o próprio público será responsável pela divulgação dos mesmos, da forma mais antiga de se fazer marketing, o famoso boca-a-boca.

   Sabe-se que, para obter o sucesso esperado, o marketing tem que ser bem planejado e organizado, tem que ser trabalhado de forma profissional levando em consideração todas as possibilidades e ter cuidado para que o número de pessoas que procura por tal serviço não exceda o limite suportável do atrativo, por exemplo, pois, os danos causados ao ambiente cultural e principalmente ao ambiente natural podem ser irreversíveis.

   De modo geral, o marketing é uma excelente ferramenta para se vender um determinado produto e/ou serviço. Diante de tas informações conclui-se então, que o marketing é uma forma organizada de se vender um produto ou um serviço, assim, se bem elaborado e planejado, o marketing turístico em um determinado local, com suas atenções voltadas diretamente ao seu público alvo e suas necessidades ou preferências, certamente se terá bons resultados e a localidade será mais procurada pela demanda, gerando renda e desenvolvimento para a região.




REFERÊNCIAS



* ALMEIDA, Joaquim Anécio; FROEHLICH, José Marcos; RIEDL, Mário (Org.). Turismo rural e desenvolvimento sustentável. Campinas: Papirus, 2000. (Coleção Turismo).

* GONZAGA, Carlos Alberto Marçal. Marketing Verde de Produtos Florestais: teoria e prática. Curitiba: UNICENTRO, 2005.

* KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 9 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Substâncias Tóxicas Persistentes - STP

Por Rafael Oliveira Silva



Hoje em dia, com a crescente oferta e demanda de novos produtos químicos, está crescendo as concentrações de grandes quantidades de compostos químicos no meio ambiente, estes por sua vez são provinientes das descargas industriais e de outras atividades antrópicas.

As Substâncias Tóxicas Persistentes são substâncias altamente tóxicas e prejudicial ao meio ambiente e a saúde, elas são formadas por compostos químicos orgânicos, podem ser bioacumulativos , ou seja, não são eliminados com o tempo pelo organismo e são resistentes à degradação química, biológica e fotolítica (da luz) .

De acordo com ALMEIDA (2010) as Substâncias Tóxicas Persistentes - STPs compreendem-se de classes de compostos orgânicos potencialmente tóxicos. Elas têm como principais características: alta hidrofobicidade, baixa reatividade no meio ambiente e grande tendência para se acumular, ou bioconcentrar, nos tecidos dos organismos vivos.

As STPs são consideradas poluentes globais, pois além de poluírem as áreas onde são liberadas, podem poluir áreas distantes destes locais, elas podem ser transportadas facilmente pelo ar, além de poluírem o solo (principalmente por consequência do uso de substâncias químicas nas atividades agrícolas) e a água (frequentemente presentes nos corpos aquáticos como conseqüência da deposição atmosférica, lavagem dos solos pelas águas das chuvas e/ou descarte direto dos efluentes urbanos e industriais).

ALMEIDA, CENTENO, BISINOTI e JARDIM (2007) relatam que existem várias Classes de STPs. Os Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos - PAH compõem uma classe de STP caracterizada como subprodutos não intencionais. Estas substâncias são formadas tanto por fontes naturais como por fontes antrópicas, sendo que as atividades antrópicas são as principais responsáveis pelos PAH no meio ambiente. As fontes naturais são consequência da síntese por bactérias, plantas e fungos, além das combustões (incêndios florestais ou emissões vulcânicas). A persistência dos PAHs no meio ambiente varia com a massa molar. Os PAHs de baixas massas molares são degradados mais facilmente. Enquanto os tempos de meia vida para o naftaleno e antraceno no sedimento são de 9 e 43 horas, respectivamente, os PAHs de massas molares mais altas apresentam tempos de meia vida em solos e sedimentos de alguns anos.

Os Bifenilas Policloradas – PCB são compostos caracterizados pela presença de anéis aromáticos halogenados. Esta classe de compostos foi introduzida em 1929 e produzida em diversos países (denominados de aroclor, clophen, phenoclor e etc.). Teoricamente esta classe compreende 209 compostos, mas apenas 130 deles são encontrados em produtos comerciais. Os PCB apresentam tempos de meia-vida estimados que variam de algumas semanas até 2 anos no ar e, com exceção dos mono e diclorobifenilas, mais de 6 anos em solos aeróbios e sedimentos. Os PCB também apresentam longos tempos de meia-vida em peixes adultos. Sua toxicidade aguda em mamíferos é geralmente baixa, no entanto, eles atuam como interferentes endócrinos. O setor elétrico é uma fonte ativa de PCB para o ambiente através da estocagem primária deste passivo ambiental.

Contudo, as Substâncias Tóxicas Persistentes, como o próprio nome já diz são persistentes e não desaparecem facilmente do meio ambiente, porém nota-se que existe uma grande falha nas leis e nos estudos sobre estas substâncias, que prejudicam e afetam a humanidade e a natureza de maneira drástica.




Referências Bibliográficas



-ALMEIDA, Fernanda Vasconcelos. Substâncias Químicas e Seus Impactos. POSEAD, Universidade Gama Filho. Brasília-DF, 2010.

-ALMEIDA, Fernanda V.; CENTENO Alberto J.; BISINOTI, Márcia Cristina; JARDIM, Wilson F. Substâncias Tóxicas Persistentes (STP) no Brasil. Disponível em: <http://quimicanova.sbq.org.br/qn/qnol/2007/vol30n8/33-RV06416.pdf > Acesso em: 03/07/2010.

sábado, 31 de julho de 2010

Relação entre a Variação de Oxigênio Dissolvido em Águas Naturais e o Grau de Eutrofização de um Corpo Hídrico

Por Rafael Oliveira Silva

De acordo com ALMEIDA (2010) todos os animais necessitam de oxigênio para sobreviver e apesar de o oxigênio fazer parte das moléculas de água, os animais não podem extrair esse oxigênio dessas moléculas.

A qualidade da água está diretamente relacionada com a concentração de oxigênio presente nela, as águas poluídas são aquelas que apresentam baixas concentrações de oxigênio dissolvido.

LANGANKE (2010) relata que a eutrofização é o processo de poluição de corpos d´água, como rios e lagos, principalmente por elementos nutritivos (o fosfato é um dos principais), esses corpos hídricos acabam adquirindo uma coloração turva ficando com níveis baixíssimos de oxigênio dissolvido na água. Isso provoca a morte de diversas espécies animais e vegetais, e tem um altíssimo impacto para os ecossistemas aquáticos.

O problema da eutrofização tem como ponto de partida o acúmulo de nutrientes dissolvidos na água. Corpos d´água naturais possuem baixos níveis de nutrientes dissolvidos, limitando o desenvolvimento de produtores, especialmente as algas. ALMEIDA (2010) menciona que em lagos eutrofizados, pode-se chegar a uma concentração de oxigênio bem superior a 10 mg/L, mesmo em temperaturas superiores a 20 ºC, caracterizando uma situação de supersaturação.

A eutrofização ocorre principalmente pela ação do homem na natureza. Dentre as ações humanas, que mais contribuem para acelerar o processo da eutrofização destacam-se:

• desmatação;

• criação de áreas agrícolas;

• industrialização;

• implantação de cidades;

• utilização excessiva de adubos e pesticidas;

• obras hidráulicas que impliquem ao aumento do tempo de residência das massas de água.

O aumento da concentração de nutrientes favorece o crescimento e a multiplicação do fitoplâncton (algas), o que provoca o aumento da turbidez da água, devido a tal, a luz solar não chega às plantas que se encontram submersas, não ocorrendo uma fotossíntese.

Apesar da quantidade de algas produzirem oxigênio através da fotossíntese, há uma saturação em oxigênio, pois sua distribuição superficial faz com que esse oxigênio escape para a atmosfera, pelo que não restabelece o oxigênio dissolvido ao nível de águas profundas. Essas algas têm seu crescimento rápido e criam uma espécie de “tapetes verdes” sobre a água, quando morrem, essas algas servem de alimentos para os decompositores (bactérias), que se multiplicam rapidamente e provoca uma diminuição do oxigênio dissolvido (consumido na respiração), esse esgotamento de oxigênio faz com os organismos que vivem nessas águas (peixes e outros) morram asfixiados.

Esse problema não é fácil de ser resolvido, porém existem algumas formas de tentar resolve-los. Todos os corpos d´água, portanto, devem receber especial atenção para que ecossistemas aquáticos inteiros não deixem de existir.

Referências Bibliográficas

 
ALMEIDA, Fernanda Vasconcelos de. Substâncias Químicas e Seus Impactos. POSEAD, Universidade Gama Filho. Brasília-DF, 2010.
LANGANKE, Roberto. Eutrofização. Disponível no site: http://eco.ib.usp.br/lepac/conservacao/ensino/des_eutro.htm#. Acessado em 25/07/2010.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Acidente Radiológico do Césio-137 em Goiânia-Goiás

Por Rafael Oliveira Silva

No dia 13 de Setembro de 1987, na cidade de Goiânia - Goiás aconteceu um dos piores e mais conhecidos acidentes radioativos do mundo: o acidente com o Césio-137, elemento radioativo Cloreto de Césio-137 (CsCL).

Tudo ocorreu quando um aparelho utilizado em radioterapias das instalações de um hospital abandonado foi encontrado na zona central de Goiânia por dois catadores de lixo, neste aparelho estava acoplada uma cápsula contendo um elemento radioativo que fora levado por estes catadores de lixo para ser vendido para um ferro velho.

Quando o dono do ferro velho abriu o aparelho ele encontrou um pó branco parecido com sal de conzinha, que no escuro brilhava numa cor azulada, ele ficou maravilhado com aquele pó e resolveu mostrar para seus amigos. Ele expôs ao ambiente 19,26g de cloreto de césio-137, pelo fato de esse sal ser higroscópico, ou seja, absorver a umidade do ar, ele facilmente adere à roupa, pele e utensílios, podendo contaminar os alimentos e o organismo internamente, o dono do ferro velho teve que passar por tratamento de descontaminação em um hospital do Rio de Janeiro e morreu sete anos depois, tão logo expostos à presença do material radioativo, as pessoas em algumas horas começaram a desenvolver sintomas: náuseas, seguidas de tonturas, com vômitos e diarreias. Alarmados, os familiares dos contaminados foram inicialmente a drogarias procurar auxílio, alguns procuraram postos de saúde e foram encaminhados para hospitais.

Ocorreu uma demora na detecção do problema e somente em 29 de setembro de 1987 e que foi dado o alerta de contaminação por material radioativo de milhares de pessoas, a esposa do dono do ferro velho foi a primeira a falecer, em 23 de outubro de 1987, ela e outras vitimas tiveram que ser enterradas com caixão blindado e erguido com um guindaste por causa das altas taxas de radiação.,

No total foram expostas aos efeitos do césio-137 112 800 pessoas, destas, 129 pessoas apresentaram contaminação corporal interna e externa concreta, vindo a desenvolver sintomas e foram apenas medicadas. A limpeza produziu 13,4 toneladas de lixo atômico, que necessitou ser acondicionado em 14 contêineres que foram totalmente lacrados. Dentro destes estão 1.200 caixas e 2.900 tambores, que permanecerão perigosos para o meio ambiente por 180 anos. Após o incidente cerca de 600 pessoas morreram, e até hoje, boa parte da população ainda necessita de tratamento para manter-se estável. Assim, os rejeitos foram enterrados em uma vala de aproximadamente 30 (trinta) metros de profundidade, revestida de uma parede de aproximadamente 1 (um) metro de espessura de concreto e chumbo, e sobre a vala foi construída uma montanha artificial.

Após o acidente radioativo os imóveis da região do acidente foram desvalorizados e somente no final dos anos 90 é que a região começou a passar uma imagem menos “assustadora” e agora normalizou a situação.


Referências Bibliográficas
TEIXEIRA, Deivid Cezario. Acidente do Césio-137. Adaptado do site <http://www.infoescola.com/quimica/acidente-do-cesio-137/>Acesso em 18/07/2010.
WIKIPÉDIA. Acidente Radiológico de Goiânia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_radiol%C3%B3gico_de_Goi%C3%A2nia> Acesso em 19/07/2010 e 20/07/2010.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ciclos Biogeoquímicos

Por Rafael Oliveira Silva

Arrébola (2009) cita que ciclos biogeoquímicos são processos naturais que reciclam elementos em diferentes formas químicas do meio ambiente para os organismos, e, depois, vice-versa. Água, carvão, oxigênio, nitrogênio, fósforo e outros elementos percorrem estes ciclos, unindo os componentes vivos e não-vivos da Terra.
Um ciclo biogeoquímico é o movimento ou o ciclo de um determinado elemento ou elementos químicos através da atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera da Terra.
Os ciclos estão intimamente relacionados com processos geológicos, hidrológicos e biológicos. Como exemplo, pode-se lembrar que um modesto conhecimento sobre o ciclo geológico (aqui referido como um conjunto dos processos responsáveis pela formação e destruição dos materiais da Terra, subdividido em: ciclo hidrológico e ciclo das rochas) é valioso para o conhecimento e compreensão de nosso ambiente, que é intimamente relacionado aos processos físicos, químicos e biológicos. Por exemplo, para avaliar o impacto ambiental de um material perigoso, como a gasolina, que vazou para o subsolo, as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, rochas e água deveriam ser entendidas. Essa compreensão ajudaria a responder perguntas como: Quão séria foi a contaminação? Quanto o contaminante poderá mover-se? Quanto o dano ambiental poderá ser minimizado?
Os ciclos mais importantes são:
• Ciclo da água
• Ciclo do carbono
• Ciclo do oxigênio
• Ciclo do nitrogênio
O homem através de suas ações interage consideravelmente em todos os ciclos biogeoquímicos. Isso traz uma série de problemas ambientais.
O homem ao interferir nos processos biogeoquímicos, o processo passa a ser acíclico. Para tanto, ocorre sérios desequilíbrios ao meio ambiente.
O homem afeta o ciclo da água de duas formas:
• Qualitativamente: Quando polui os corpos d’água, essa poluição pode ser por matérias orgânicas (ex. esgoto doméstico), por metais petróleo (ex. esgotos industriais e derramamentos) e por eutrofização (excesso de nutrientes - compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogênio- numa massa de água, provocando um aumento excessivo de algas);
• Quantitativamente: com o mau uso dos recursos hídricos (ex. desperdícios na agricultura, residências e indústrias).

Quando ocorre um desperdício de água nas indústrias (através dos processos de produção) isso afeta diretamente o ciclo da água, tal ciclo é afetado também quando existe uma contaminação dos mananciais de água.
Outra forma que o homem afeta os ciclos biogeoquímicos é através da destruição da camada de ozônio com a emissão de poluentes (especialmente o CFC - Clorofluorcarboneto), isso provoca o aquecimento global que afeta o CICLO DO CARBONO E DO OXIGÊNIO.
As queimadas na floresta amazônica, provocadas pela criação de áreas de pastagem, exploração da madeira e agricultura familiar, causam alterações nos ciclos biogeoquímicos (os percursos realizados no meio ambiente por um elemento químico) e afeta ainda mais o clima da região.


Referências Bibliográficas

ARRÉBOLA, Roberto Tadeu. Ciclos Biogeoquímicos. Adaptado do site http://www.coladaweb.com/biologia/bioquimica/ciclos-biogeoquimicos. Acesso em 05/04/2010.

Mercado de Carbono

Por Rafael Oliveira Silva

Silva (2008) menciona que o mercado de carbono funciona de acordo com as regras do protocolo de Quioto - criado em 1997 durante a Terceira Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 3) realizada na cidade de Kyoto,Japão.
O Protocolo de Kyoto surgiu com a necessidade de criação de um mecanismo que assumisse a função de controlar a emissão de gases do efeito estufa na atmosfera onde os paises signatários – paises industrializados - assumiram um compromisso de redução de gases de efeito estufa. Segundo o protocolo, para os paises em desenvolvimento(caso do Brasil), não há o compromisso de redução de GEE.
Um dos mecanismos de flexibilização para o auxilio na redução de GEE é o MDL(mecanismo de desenvolvimento limpo) – único que integra os paises em desenvolvimento ao mercado de carbono. Outros dois mecanismos são:
* Implementação Conjunta, realizado entre países desenvolvidos, podendo envolver economias em transição;
* Mercado de emissões, somente entre países desenvolvidos, onde um país que tenha reduzido as suas emissões a níveis abaixo da meta possa vender esse “excesso” para outro país.
Tal mercado funciona através da comercialização de certificados de emissão de gases do efeito estufa em bolsas de valores, fundos ou através de brokers, onde os países desenvolvidos, que tem que cumprir compromissos de redução da emissão desses gases, podem comprar créditos derivados dos mecanismos de flexibilização. Esse processo de compra e venda de créditos se dá a partir de projetos, que podem ser ligados a reflorestamentos, ao desenvolvimento de energias alternativas, eficiência energética, controle de emissões e outros.
Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional. A redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de Carbono Equivalente.
Comprar créditos de carbono no mercado corresponde aproximadamente a comprar uma permissão para emitir GEE. O preço dessa permissão, negociado no mercado, deve ser necessariamente inferior ao da multa que o emissor deveria pagar ao poder público, por emitir GEE. Para o emissor, portanto, comprar créditos de carbono no mercado significa, na prática, obter um desconto sobre a multa devida.
No Brasil já existem alguns projetos ambientais ligados ao sequestro de carbono, tanto ligados a multinacionais quanto a governos de vários países, mesmo não existindo uma legislação específica que classifique os mesmos de acordo com o MDL.
Muitas empresas como a Peugeot, Shell, AES Barry possuem projetos de controle ambiental no Brasil no intuito de conseguirem assim que o mercado de carbono for finalmente regulamentado a possibilidade de usar esses projetos como parte da redução das emissões de CO2 a que estão sujeitas nas sedes. Percebe-se que há muito para ser feito. A BM&F possui um protótipo de um certificado a ser transacionado pela bolsa o que será importante para por em prática as possibilidades desse novo mercado e medir a disposição da sociedade em bancá-lo.
Zanetti (2008) cita que o Brasil possui uma matriz energética considerada limpa (90% da energia elétrica é gerada por hidrelétricas) pode desenvolver projetos de MDL baseados no aumento do uso de fontes renováveis, em eficiência energética, na substituição dos combustíveis por outros com menor taxa de emissão de gases de efeito estufa, também considerados “mais limpos”.
A recuperação de áreas degradadas foi a única atividade florestal que recebeu até hoje créditos do mercado de carbono junto ao MDL. Para o caso brasileiro, estima-se que a atividade possa gerar, no mínimo, cerca de 6 tCO2eq/ha/ano, a um preço de R$ 25,00 / tCO2eq, são R$ 150,00 / ha/ano, ou um total de R$ 3.150,00 / ha para projetos de 21 anos de permanência. Somente para os 20 milhões de áreas degradadas da Amazônia Brasileira, isso significaria R$ 3 bilhões/ano de investimentos diretos na base produtiva do agronegócio. No Paraná, com mais de 1 milhão ha de áreas de Reserva Legal e APP para recuperação, poderiam ser gerados R$ 150 milhões/ano para os produtores rurais com a flexibilização das regras da Reserva Legal, considerando um valor mínimo para a comercialização desses créditos. Vale lembrar que a agregação de vários projetos individuais em torno de uma iniciativa única, a nível de Estado, eleva a quantidade de créditos e torna o negócio atrativo para os grandes compradores atuando nesse mercado de carbono. Quanto aos projetos de conservação da natureza, uma postura voluntária de utilizar a propriedade nesse sentido, pode receber maior apoio institucional e financeiro de organizações que apóiam diretamente projetos de conservação, e não agem senão como fiscalizadores na Reserva Legal e Área de Preservação Permanente. Com a possibilidade de conversão das áreas, essas organizações podem exercer um papel mais ativo na assistência técnica e financeira aos produtores que considerarem, de fato, sua Reserva Legal e APP como ferramentas de conservação da biodiversidade.
De acordo com o site desenvolver uma forma de exploração econômica do lixo produzido nas cidades, gerando energia, melhorando o Meio Ambiente e transformando a vidas das pessoas. Esta é a síntese do projeto Novagerar, que nasceu na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de produzir energia limpa por meio do gás gerado no aterro sanitário. A iniciativa é uma parceria da empresas S. A Paulista, que atua no segmento de construção, e da EcoSecurities, especializada em questões de mitigação de gases de efeito estufa (GEE).
Hoje, a CTR aproveita o biogás (ou gás de aterro) produzido a partir da decomposição da matéria orgânica do lixo, que é composto por aproximadamente 55% de metano, um dos vilões do efeito estufa. Para evitar que esta poluição seja lançada na atmosfera, o gás é drenado, canalizado e usado como combustível que alimenta as unidades de tratamento dentro da própria CTR. O projeto prevê ainda a instalação de usinas geradoras de energia elétrica que terão capacidade para iluminar os prédios públicos da cidade onde o empreendimento está instalado.
O projeto NovaGerar atraiu interesse do Governo da Holanda por intermédio do Banco Mundial (BIRD), que fechou contrato com a empresa para a compra dos créditos de carbono gerados até 2012. Este é o primeiro projeto do Brasil ligado à destinação final de lixo que tem o apoio do BIRD.

Referências Bibliográficas


SILVA, Degmar Augusta da. Mercado De Carbono – Breves Considerações. <http://www.artigonal.com/meio-ambiente-artigos/mercado-de-carbono-breves-consideracoes-385592.html> Publicação: 12/04/2008. Acesso em: 10/04/2010.

Zanetti, Robson. A Reserva Legal no Brasil e o Mercado de Carbono. <http://www.webartigos.com/articles/7944/1/A-Reserva-Legal-No-Brasil-E-O-Mercado-De-Carbono/pagina1.html> Acesso em: 10/04/2010.

<http://www.conpet.gov.br/quioto/noticia.php?segmento=corporativo&id_noticia=433> Acesso em 10/04/2010